Projetos de Pesquisa

Projetos de pesquisa em andamento e concluídos coordenados por pesquisados do grupo de pesquisa “O físico, o mental e o moral na história dos saberes médicos-psicológicos”.

Projetos em andamento

Albertinas, Modestas, Pilares: experiências de mulheres em narrativas da loucura

Coordenadora: Yonissa Marmitt Wadi

Descrição: O projeto é dedicado a compreender, por meio de narrativas em primeira pessoa, experiências de mulheres loucas, que viveram em diferentes lugares situados na chamada Ibero-América, durante o século XX. As narrativas a que me refiro podem ser apreendidas em escritos (bilhetes, cartas, poesias, diários, romances, registros em prontuários psiquiátricos…), em imagens (desenhadas nas paredes das instituições, em telas, papéis ou outros objetos oferecidos nas “oficinas terapêuticas”…) ou apenas em falas, que podem ser ouvidas e lidas, porque foram gravadas e transcritas. São vários, portanto, os tipos, formatos e suportes nos quais é possível encontrar, as narrativas da loucura. Como pesquisadora dedicada à pesquisa sobre a loucura, há bastante tempo, pude perceber que as narrativas sobre experiências com a loucura expressas pelas próprias pessoas consideradas loucas, transformadas em fontes e tema/problema de pesquisa, são ainda pouco visíveis no campo historiográfico. Neste sentido, pretendo pela investigação em um conjunto amplo de fontes narrativas, em uma temporalidade também ampla “o século XX”, construir uma espécie de história geral (não linear, nem progressiva, nem unitária, nem totalizante, mas sim recheada de acontecimentos, uma história das práticas) sobre a relação mulheres e loucura que parte do ponto de vista delas e que problematiza a complexidade das relações com saberes e poderes (da psiquiatria e outros campos de saber, das famílias, do Estado, etc.), bem como os processos de subjetivação, reinvenção de si das mulheres loucas. Acredito que este movimento confere importância não só científica ao projeto, mas também cultural e social, pois abre possibilidades para a compreensão de porquê, de que maneiras, por quais movimentos e instrumentos “mesmo em meio às grandes modificações em prol delas provocadas por suas lutas, pelas lutas feministas”, as mulheres seguem sendo vistas como mais propensas ao desenvolvimento de certas tarefas (como o cuidar, tarefa acirrada nesta época de pandemia) ou à certos sentimentos, comportamentos e atitudes; à terem suas possibilidades de escolha, crescimento, independência, muitas vezes, brutalmente podadas por diferentes formas de violência (do assédio ao feminicídio) e como isto afeta sua saúde mental. Da mesma forma, os resultados da pesquisa podem contribuir efetivamente para mudanças no campo clínico e assistencial da saúde mental, no sentido de uma pesquisa-ação, que oferece aos sujeitos envolvidos, a possibilidade de uma escuta diferenciada. Isto contribui para o movimento já em voga de uma ?outra psiquiatria?, de perspectiva não-essencialista, que interpreta o sintoma, ou o transtorno, com algo além do biológico, considerando-o como algo cultural, totalmente integrado no indivíduo, com variações contextuais e circunstâncias que envolvem símbolos, mitos, valores, relacionamentos, mentalidades coletivas e individuais, subjetividades, enfim, experiências.

Integrantes: Silvia Schneider; Telma Beiser de Melo Zara; André Luís Andrade Silva; Isadora Luiza Francisca Alves Flores; Alvaro Daniel Costa.

Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Bolsa.

 

Assistência psiquiátrica em perspectiva histórica (Rio de Janeiro, século XX)

Coordenadora: Ana Teresa Acatauassú Venancio

Descrição: O presente projeto é um desdobramento da proposta de investigação mais ampla denominada “Do Hospício de Pedro II ao Hospital Nacional de Alienados: cem anos de histórias (1841-1944)” (edital PROEP 2015/2018) e visa investigar os desenvolvimentos da assistência psiquiátrica no Rio de Janeiro a partir da história de suas instituições ao longo do século XX, observando-se tanto os modelos e recurso institucionais utilizados, quanto suas realidades concretas e as populações nelas atendidas. Neste sentido, o projeto dá continuidade aos investimentos já realizados sobre a história do Hospício Nacional de Alienados e a da Colônia Juliano Moreira, ao mesmo tempo em que investe em nova pesquisa sobre outra instituição psiquiátrica carioca, a Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro: a) Dar continuidade a análise da história da assistência psiquiátrica prestada pelo Hospício Nacional de Alienados na Primeira República b) Investigar a história da Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro (Rio de Janeiro), observando-se a concomitância de propostas terapêutico-curativas e/ou preventivas para a assistência à doença mental c) Analisar a historiografia sobre a história da Colônia Juliano Moreira (Rio de Janeiro), buscando observar as linhas de continuidade e de mudança nas propostas assistenciais da instituição entre 1924 e 1980.

Integrantes: Carine Alves; Naillivy Carvalho da Silva; Carolina da Fonseca Schlaepfer; Monica Cristina de Moraes

Financiamento: PIBIC-CNPq-Fiocruz; Capes-PrInt-Fiocruz; Capes- bolsa

 

Entre a biotipologia e a justiça social: criminologia, cultura e política no Rio de Janeiro (1940-1958)

CoordenadorAllister Andrew Teixeira Dias

Descrição: Esta pesquisa tem por objetivo investigar o percurso histórico e modulações dos discursos criminológico no Rio de Janeiro, entre o Estado Novo (1937-1945) e a Experiência Democrática (1945-1964). Tal imersão no passado do discurso criminológico será possível pela pesquisa sistemática nas evidências históricas presentes em dois periódicos científicos ainda muito pouco explorados pelos estudos históricos: os Arquivos Penitenciários do Brasil e a Revista Brasileira de Criminologia. Teremos por cerne analisar as injunções dos debates sociais, políticos e culturais do período nos discursos criminológicos, os conteúdos e racionalidades das proposições e ideias criminológicas em embate e acomodação no período, e, por fim, a trajetória e projetos intelectuais de José Gabriel Lemos de Brito e Roberto Lyra, atores centrais desta seara.

Financiamento: Fundação Biblioteca Nacional – Bolsa.

 

História da produção e circulação das ideias psiquiátricas no contexto brasileiro (primeira metade do século XX) 

Coordenadora: Ana Teresa Acatauassú Venancio

Descrição: O projeto visa analisar o modo como ideias concernentes ao campo da ciência psiquiátrica foram produzidas e divulgadas no contexto brasileiro na primeira metade do século XX, participando tanto da institucionalização da psiquiatria no país quanto integrando debates relativos a outros campos de conhecimento, como o jurídico. A história da produção e circulação destas ideias será analisada a partir de alguns temas analíticos específicos, a saber: a) análise da presença e participação de discursos e argumentos médico-psiquiátricos em processos penais nas duas primeiras décadas do século XX; b) análise do uso de fotografias na produção e circulação do conhecimento psiquiátrico brasileiro nas três primeiras décadas do século XX; c) análise da recepção e circulação de ideias relativas à medicina constitucional no conhecimento psiquiátrico brasileiro nas décadas de 1930 a 1950; d) análise da recepção e circulação de categorias diagnósticas psiquiátricas no contexto médico-científico do Rio de Janeiro na primeira metade do século XX.

Integrantes: Bruno Benevides de Sá; Renilson Beraldo; Priscila Araújo

Financiamento: Capes – Bolsa.

 

Crime, loucura e masculinidade: uma história do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921-1984)

Coordenador: Allister Andrew Teixeira Dias

Descrição: Este projeto investiga as relações entre crime, loucura, masculinidade e violência de gênero na história do Rio de Janeiro republicano, desde a Primeira República, até o processo de Redemocratização nos anos 1980. A partir de uma inscrição institucional específica, o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), depois Manicômio Judiciário Heitor Carrilho (1954), estuda a documentação clínica, pericial, penal, policial e administrativa de centenas de homens acusados de matarem ou agredirem mulheres nos variados contextos da nossa história republicana – Primeira República, Era Vargas, Experiência Democrática e Ditadura Militar. Busca compreender as construções patológicas provenientes dos discursos psiquiátricos, criminológicos e jurídicas, absolutamente assentados numa formação sóciocultural patriarcal, da imagem do homem feminicida, ao mesmo tempo que tenciona investigar os padrões e expectativas de masculinidade que partem destas práticas discursivas, suas modulações e mutações ao longo do século XX.

 

Estudos Transculturais dos saberes psi na América Latina

Coordenador: Luís Mariano Ruperthuz Honorato (professor visitante no PPGHCS)

Descrição: Proyecto conicyt Regular Nº 1190226.

Integrantes: Cristiana Facchinetti; Ana Carolina Gálvez Comandini.

 

História dos saberes, práticas e pessoas nas instituições de assistência à saúde mental

Coordenadora: Cristiana Facchinetti

 

História, violências de gênero e sofrimento psíquico a partir de trajetórias de vida e de internação de pacientes submetidos à psicocirurgia no Hospital Psiquiátrico Juquery (1940-1950)

Coordenadora: Cristiana Facchinetti

Descrição: Este projeto propõe reflexões acerca de violências de gênero e seus impactos sobre a saúde mental dos indivíduos a partir de um olhar histórico. Ele privilegia os impactos de tais violências na vida de mulheres internadas no Hospital Psiquiátrico do Juquery (São Paulo), um dos maiores da América Latina entre os anos 1940 e 1950. Todas elas têm em comum terem sido submetidas à psicocirurgia quando de sua internação. Serão ainda analisados casos de pacientes do sexo masculino operados em função de “sintomas” considerados no campo da homossexualidade. Como fontes para este trabalho, mobilizaremos um contingente de 431 prontuários médicos, já coletados e digitalizados em função da pesquisa de doutoramento “A circulação e aplicação da psicocirurgia no hospital psiquiátrico do Juquery, São Paulo: uma questão de gênero (1936- 1956)”. Contudo, esta nova proposta de pesquisa, difere substancialmente da tese recém defendida. Com o foco na utilização da psicocirurgia, a tese comportou uma perspectiva de história social na qual não foi possível contemplar ricos aspectos desse material. Nesta nova etapa de trabalho, propomos então, um estudo que considere relatos que nos permitem acessar parte da vida dos pacientes. Eles nos contam sobre elementos de gênero que participaram de seu processo de “adoecimento”, dentro e fora do hospital. Para tal, recorremos também a escritos dos próprios internos, encontrados nos prontuários, que não foram aproveitados na tese e configuram documentos inéditos de pesquisa. Os prontuários médicos que contam parte de suas trajetórias de vida e de internação nos permitem mais do que analisar a construção social das doenças mentais segundo uma perspectiva de gênero; eles nos permitem refletir sobre como essas violências cotidianas geram mal-estar e sofrimento psíquico historicamente negligenciados e banalizados graças à naturalização do modelo/dispositivo de diferença sexual. O trabalho proposto amplia ainda os usos dessa documentação para acesso público, pensando-se a democratização de informações nela contidas por meio da criação de um fundo na BVS-Fiocruz. Sua importância no campo da história das doenças e para a saúde pública se dá, principalmente, em um contexto no qual a consideração dessas mazelas em políticas públicas se vê ameaçada. Gerar conhecimento nesse sentido, a partir de exemplos históricos da sociedade brasileira em um passado recente, é parte essencial para que esses processos de violência e adoecimento ganhem relevância também no contexto sociopolítico atual.

Integrante: Eliza Teixeira de Toledo.

 

O Museu Alemão de Higiene de Dresden em Perspectiva Transnacional: Relações com a América Latina (1911-1939)

Coordenador: Pedro Felipe Neves de Muñoz

Descrição: O presente projeto estuda as exposições internacionais do Museu Alemão de Higiene de Dresden e suas relações com a América Latina, especialmente, com o Brasil, Argentina e Chile, no período de 1911 a 1939. Do ponto de vista da história da ciência, investiga-se tais conexões pela via da saúde pública e da eugenia (higiene racial).

Integrante: Stefan Rinke

 

Michel Foucault e a História dos Saberes Médicos e Psicológicos

Coordenador: Allister Andrew Teixeira Dias

Descrição: Decorrente de dois cursos de extensão exitosos sobre o tema, este projeto visa revisitar a temática da história dos saberes médicos e psicológicos em textos clássicos de Michel Foucault e nas aulas do Collége de France. Analisamos a proposta analítica do filósofo na temática, abordando o contexto intelectual e de debate específico do qual emerge a História da Loucura (1961), o conteúdo e ideias centrais deste livro e seus desdobramentos no pensamento foucaultiano na primeira metade dos anos 1970. Analisam-se também as relações das proposições analíticas de Foucault com os estudos pós-coloniais. Num segundo momento, o projeto tem por escopo avaliar a persistência do interesse do filósofo no percurso histórico dos saberes médicos e psicológicos no bojo dos deslocamentos teóricos, metodológicos e conceituais de sua história filosófica na segunda metade dos anos 1970 e início dos anos 1980, tendo por cerne suas aulas no College de France, principalmente a partir de suas novas agendas de pesquisa e reflexão, a saber: biopolítica, (neo) liberalismo e modernidade; governamentalidade e sexualidade; e a história das subjetividades e dos regimes de verdade. Buscar-se-á avalizar o impacto destas investidas na historiografia da psiquiatria, da psicologia e da loucura produzidas no Brasil desde os anos 1970.

 

Normal, anormal e patológico: saberes psi e processos de subjetivação no século XX

Coordenadora: Cristiana Facchinetti

Descrição: A proposta deste projeto resulta de desdobramentos de pesquisas anteriores sobre o impacto dos discursos psi na história dos sujeitos que circulam pela cidade e em seus próprios discursos de si. Pretende-se, desta forma, comparar o discurso médico-mental prescritivo para condutas ideais dos indivíduos, descritas como normais, e suas representações imagéticas e simbólicas, com o discurso-de-si de escritores (de livros, de poemas, de cartas, de biografias) e artistas plásticos compreendidos como partícipes da ação e constituição das categorias de normalidade e de anormalidade de seu tempo, seja nos campos da família, do trabalho ou das identidades. Assim, na esteira da complexificação de representações e significados (Chartier, 1990), propõe-se agora enfatizar a diversidade das experiências de homens e mulheres urbanos frente às normas médico-mentais propostas, enfatizando sua apropriação dos modelos de comportamento nos processos de construção de identidade e formas de sociabilidade (Soihet, 1997b). Busca-se, deste modo, destacar a polifonia de apropriações desses modelos a partir do final da Primeira Grande Guerra, em um tempo de grandes rupturas com o passado (Oliveira, 1990) e de grandes reviravoltas na cidade do século XX. O recorte se inicia quando a psiquiatria recém passara a ser descrita como ciência que deveria abarcar a todos os anormais, tanto alienados quanto aqueles que estivessem em risco de adoecer, cuidando, e principalmente, prevenindo contra o adoecimento da nação (decreto lei nº 17805 de 27/5/1927). É a partir de então que a medicina mental passa oficialmente a se imiscuir nas questões sociais para além dos muros do hospício, regulando relações e estabelecendo normas e modelos de subjetividades, em sua pretensão de contribuir para a construção do Brasil moderno. No que diz respeito ao processo emancipatório das mulheres, o período escolhido abarca também uma época de crítica aos valores tradicionais, produtora de uma crise de identidade (Berger, 1975; Neves, 2010) que termina por permitir grandes mudanças nas subjetividades e nos comportamentos. Deste modo, se a medicina mental passara a se ocupar com as “anormais” ou psicopatas, que deveriam ser homogeneamente docilizados e disciplinados por meio de um modelo de normalidade implementado pela saúde, educação e por políticas cientifico-estatais, tem-se por outro lado que a ideia mesma de mulher moderna / homem moderno que garantiria o futuro da nação, abriu caminho para muitas negociações e acomodações frente a tais modelos.

 

Histórias transculturais dos saberes psi

Coordenadora: Cristiana Facchinetti

Integrantes: Sonu Shamdasani; Diego Luiz dos Santos; Anna Paula Silva Santos; Ygor Martins da Cruz.

 

PROJETOS DE PESQUISA CONCLUIDOS

 

Do Hospício de Pedro II ao Hospital Nacional dos Alienados: cem anos de história (1841-1944)

Coordenadora: Cristiana Facchinetti

Período: 2015-2019

Descrição: Este projeto tem dois objetivos gerais articulados, relativos aos 2 eixos aos quais se vincula. O primeiro é analisar o modo como o HNA foi lugar de produção, circulação e validação de conhecimentos científicos e práticas assistenciais relativas a uma medicina mental, engendrada por diferentes atores sociais que traziam à cena teorias diversas sobre a alienação e suas terapêuticas, a partir da qual se definiram grupos patológicos em sua população e se produziu um imaginário social sobre a loucura. O segundo é estabelecer parcerias entre as instituições detentoras da documentação já identificada e sumariamente aqui descrita, o que se constitui de fundamental importância para o entendimento não só da Psiquiatria no Brasil, bem como de sua consolidação como prática médica e social. Preservar e compartilhar o acesso a tais documentos é crucial para o fortalecimento do saber empírico e intelectual e para a manutenção e difusão do patrimônio cultural das ciências e da saúde. Para alcançarmos estes objetivos gerais, o projeto se subdivide em objetivos específicos que visam à análise do Hospício enquanto espaço de ciência e de assistência: a) Analisar o modo como a medicina mental constituiu parâmetros epistemológicos para diagnósticos e terapêuticas aplicados no Hospício de Pedro II, ao longo do Segundo Reinado, e do Hospício Nacional de Alienados, no período republicano, atentando para as relações cientificas estabelecidas pelos médicos entre as teorias psiquiátricas e as dimensões física e moral dos internos; b) Abordar o cotidiano do Hospício, descrevendo o percurso dos pacientes em seu interior, passando por seções, tratamentos e exames, buscando determinar as tecnologias e técnicas então utilizadas; c) Destacar o modo pelo qual a instituição esteve atravessada pelas hierarquias sociais prevalentes, reformulando, perpetuando e negociando os papeis sociais desempenhados pelos diversos atores presentes naquele microcosmo; d) Investigar as diferentes representações sobre o HNA e a loucura, tal como apareceram na literatura especializada, na grande imprensa, entre a população leiga e os internos, bem como suas consequências na constituição do imaginário social acerca do tema nas quatro primeiras décadas do século XX. Uma dimensão, em particular, será a análise dos documentos científicos, onde diferentes regimes de anotação, inscrição, gráficos e imagens terão importância destacada; e) Investigar a elaboração histórica da relação entre crime e anormalidade/patologia no HNA, visando analisar a recepção de teorias médico-criminológicas na construção diagnóstica produzida na instituição, bem como na conformação da Psiquiatria Forense naquele espaço. Aqui destacamos a análise das formas de apropriação, circulação e negociação do conhecimento psiquiátrico, antropológico e psicológico entre o campo médico-legal e o jurídico; f) Reconstruir as experiências da “loucura criminosa” no campo médico e jurídico, estabelecendo, igualmente, uma história social da loucura e da loucura criminosa no HNA; g) Avançar no estudo do tratamento destinado a crianças e adolescentes no interior da instituição asilar. Tais espaços terapêuticos e pedagógicos foram paradigmáticos para a história da criança no Brasil, em especial para uma história da psiquiatria infantil; h) Investigar a história dos suicídios e das práticas suicidas perpetrados por internos do HNA constitui um recurso inestimável do ponto de vista do arquivo e documentação acerca de um fenômeno somente captado retrospectivamente por sistemas demográficos de informação.

Integrantes: Ana Teresa Acatauassú Venancio; Ana Maria Jacó-Vilela; Laurinda Rosa Maciel; Flávio Coelho Edler; Anna Beatriz de Sá Almeida; Daniele Correa Ribeiro; José Roberto Reis; Mariene Rosa Nogueira da Silva; Carlos Estelita-Lins; Allister Dias; Monique Gonçalves; Monica Cristina de Moraes; Caroline Gonzaga de Oliveira; José Roberto Silvestre Saiol; Natascha de Castro França; Ygor Martins; Raísa Capela; Cátia Mathias; Carolina da Fonseca Schlaepfer.

Financiamento: CNPq – Auxílio financeiro.

 

O campo “psi” no Brasil, México e Argentina: um estudo comparativo

Coordenadora: Yonissa Marmitt Wadi

Período: 2019-2022

Descrição: A partir dos anos oitenta do século passado, os estudos sobre o psi (psiquiatria, psicologia, psicanálise) começaram a ganhar amplitude tornando-se um campo importante nos países de primeiro mundo, principalmente, mas não exclusivamente, desde as áreas disciplinares da História, da Sociologia e da Literatura. A partir dos anos 2000, especialmente nos últimos quinze anos, houve um aumento na produção sobre temáticas relacionadas a este campo na América Latina, principalmente na Argentina, no México e no Brasil. Com o fim precípuo de contribuir para a um maior conhecimento do campo psi na América Latina, o objetivo geral deste projeto é reunir publicações (livros, capítulos, artigos, teses e dissertações) produzidas pelas ciências sociais e humanidades, na Argentina, no Brasil e no México, a fim de sistematizar e problematizar as abordagens teóricas e metodológicas e as fontes utilizadas nas pesquisas e propor novas perspectivas de trabalho que possam enriquecê-las. Pesquisadores e pesquisadoras envolvidos com os estudos psi têm publicações nas quais perguntam/discutem /abordam diferentes aspectos do campo, mas nas quais as reflexões sobre as teorias e metodologias, e mesmo sobre as fontes de pesquisa, ocupam um lugar secundário. Motivada por tal percepção oriunda de debates que tenho travado com parceiras de pesquisa ligados a Red Iberoamericana de História de la Psiquiatria (RIHP) e com o fim precípuo de contribuir para a um maior conhecimento do campo, o objetivo geral deste projeto é reunir publicações (livros, capítulos, artigos, teses e dissertações) produzidas no campo psi, a partir das ciências sociais e das humanidades, na Argentina, no Brasil e no México, a fim de sistematizar e problematizar as abordagens teóricas e metodológicas e as fontes utilizadas nas pesquisas, compartilhá-las e propor novas perspectivas de trabalho que possam enriquecê-las. Neste sentido, os objetivos específicos do projeto são: a) Construir uma base de publicações (livros, capítulos, artigos, teses e dissertações) sobre o campo psi no Brasil, Argentina e México; b) Construir um diretório de pesquisadores/as que trabalham com temas do campo psi desde as ciências sociais e humanidades na Argentina, México e Brasil; c) Promover a construção de um diálogo interdisciplinar que possa enriquecer o viés disciplinar de cada um individualmente, por meio de seminários, colóquios ou oficinas de pesquisa, reunindo as parceiras principais do projeto, bem como outros/as convidados/as e estudantes; d) Analisar e compartilhar os resultados da pesquisa sobre os usos de fontes, teorias e metodologias por pesquisadoras/es do campo, com discussão sobre as mais adequadas para dar conta das especificidades dos processos psi nos contextos locais de produção, por meio da participação nos eventos da RIHP ou outros de grande porte de nível nacional e internacional, de artigos científicos e/ou capítulos e/ou livro, em co-autoria com as parceiras do projeto e/ou outros/as pesquisadores/as e estudantes de pós-graduação.

Integrantes: Silvia Schneider; André Luís Andrade Silva; Isadora Luiza Francisca Alves Flores.

Financiamento: CNPq – Bolsa.

 

El estudio del campo psi en America Latina desde las ciencias sociales: aspectos teóricos y metodológicos

Coordenadora: Teresa Ordorika

Período: 2017-2021

Descrição: Desde los años ochenta del siglo pasado, los estudios sobre el campo “psi” (psiquiatría, psicología, psicoanálisis) han cobrado importancia en los países del primer mundo, principal aunque no exclusivamente, desde la historia, la sociología y la literatura. En los últimos quince años, se ha registrado un aumento de la producción sobre este tema en América Latina, principalmente Argentina, México, Brasil y Chile. Con miras a abonar a estos estudios, el objetivo de este proyecto es reunir a un grupo de investigadoras/es que actualmente nos dedicamos al estudio del campo “psi” latinoamericano, con el fin de discutir y sistematizar los enfoques teóricos y metodológicos que se utilizan en las investigaciones, y proponer nuevas perspectivas de trabajo que pueden enriquecer a las mismas. Todas/os contamos con publicaciones en las que indagamos sobre diferentes aspectos del campo “psi”, pero en las cuales nuestras reflexiones sobre las fuentes, las teorías y las metodologías ocupan un lugar secundario. Es por esto que el presente proyecto busca explicitar, sistematizar y compartir esta parte del trabajo de investigación. Preguntarse por estos aspectos permite, en primer lugar, generar un terreno común de debate. Esta discusión se nutre de la reflexión y del trabajo empírico que cada una/o ha realizado por separado en el proceso de investigación, pero que no se ha sistematizado de manera conjunta. En segundo lugar, las/los integrantes pertenecemos a diversas disciplinas de las ciencias sociales y humanidades, e indagamos sobre diferentes aspectos de lo “psi” en distintos países. Partir de una multiplicidad de disciplinas y miradas sobre el tema, promueve la construcción de un diálogo interdisciplinario que enriquece el sesgo disciplinar de cada una de las/los participantes. En tercer lugar, el trabajo grupal permite compartir información sobre la existencia de fuentes, archivos y abordajes utilizados por las/os expertas/os de diferentes países y generar un acervo de información. En cuarto lugar, permite también discutir las teorías y metodologías más aptas para dar cuenta de la especificidad de los procesos psi en los contextos locales de producción, así como plantear la posibilidad de diseñar proyectos comparativos a nivel regional.

Integrantes: Ana Teresa Acatauassú Venancio; Yonissa Marmitt Wadi; Aida Alejandra Golcman; Jennifer L. Lambe; Jonathan D. Ablard; Maria Cristina Sacristan Gomez; Marcos Ramos; Andres Rios Molina; Martha Santillán Esqueda.

Financiamento: Universidad Nacional Autónoma de México (Edital PAIIT – IN302917).

 

Violência e Trauma: a neurose de guerra em Freud, Abraham e Ferenczi

Coordenador: Pedro Felipe Neves de Muñoz

Período: 2017-2018

Descrição: Estudo de formação em psicologia (TCC) sobre a neurose de guerra em Freud, Abraham e Ferenczi, que problematiza a violência, o trauma e a compulsão à repetição.

 

História da saúde mental no Brasil

Coordenadora: Cristiana Facchinetti

Período: 2016-2021

Descrição: O presente projeto investiga a história da psiquiatria local até a contemporaneidade. O objetivo é investigar os processos, as experiências e as representações de sujeitos atravessados pela medicalização, pela institucionalização e de desinstitucionalização da loucura, sejam eles médicos, familiares ou usuários. A pesquisa traz também como objetivo a análise dos processos que construíram as diferentes instituições especializadas na saúde mental, sua estrutura e tratamento. A pesquisa é desenvolvida por meio de fontes documentais e orais, parcialmente sob a guarda da Biblioteca do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Integrantes: Rafael Guimarães Ferreira Lazari; Beatriz da Silva.

 

O ponto de vista dos loucos em percursos historiográficos e antologias de vidas

Coordenadora: Yonissa Marmitt Wadi

Período: 2016-2018

Descrição: Assistimos atualmente, no campo denominado de História da Loucura e da Psiquiatria, a uma ampliação e inovação teórico-metodológica e temática, conduzida por uma gama de estudiosos/as de diferentes países, possibilitada “dentre outras coisas” por um novo olhar lançado a fontes usuais (como documentos administrativos ou clínicos, relatórios médicos etc.), mas também pela agregação de novas e importantes fontes, como as narrativas que expressam de formas variadas (em escritos, imagens ou apenas falas) os pontos de vista de pessoas tidas como loucas. A problematização de experiências diversas, como as do processo de internação e da vida cotidiana nas instituições de assistência, da atribuição/assunção de diagnósticos e do estigma, das relações de gênero, dos processos de subjetivação, são algumas das dimensões que aparecem nestas narrativas sob perspectivas novas e até surpreendentes. A proposta deste projeto é justamente debruçar-se sobre tais narrativas, tornadas fontes históricas, ou seja, singularidades que, em espaços e temporalidades diversos, oferecem certas e diferentes respostas, a certos e diferentes problemas, congregados sob o rótulo da “loucura”. Propõe-se assim, como primeiro eixo da investigação, a realização de um levantamento bibliográfico e uma problematização historiográfica de trabalhos acadêmicos (artigos, livros, teses e dissertações), no campo da História da Loucura e da Psiquiatria, produzidas no âmbito ibero-americano. Os trabalhos que propõem-se levantar e problematizar são os que postulam uma nova história (da loucura, da psiquiatria, até mesmo da medicina) considerando as experiências e pontos de vista de pessoas consideradas loucas, visíveis em grande parte em suas próprias narrativas. Como segundo eixo propõe-se a construção de antologias de vidas de pessoas consideradas loucas, pelo trabalho mais direto com fontes de pesquisa relativas a suas experiências e pontos de vista. Neste sentido, pretende-se levantar e selecionar, para análise, cartas, bilhetes, diários, autobiografias, poesias, desenhos, pinturas, romances etc., ou seja, uma gama de materiais produzidos por pessoas tidas como loucas. A intenção é buscar, inicialmente, documentos produzidos em instituições psiquiátricas especializadas, sob guarda destas ou de instituições de pesquisa (arquivos, centros de documentação, bibliotecas), localizadas na cidade do Rio de Janeiro / Brasil e na Cidade do México / México. Será dada atenção, também, à busca de narrativas produzidas em espaços institucionais diferentes das instituições fechadas ou fora de qualquer instituição psiquiátrica, ou seja, materiais publicizados em blogs e e-books, em textos ou jornais impressos produzidos por associações de usuários ou outras de apoio, entre outras possíveis. Nestas realidades, muitos dos que escrevem, escrevem ainda como pacientes psiquiátricos, ora inseridos nas chamadas modalidades assistenciais alternativas, centros comunitários de saúde mental (como os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS / Brasil), ambulatórios, hospitais-dia, hospitais-noite, residências terapêuticas, ora apenas sendo acompanhados por psiquiatras, psicólogos, psicanalistas e outros terapeutas em tratamentos sem nenhuma institucionalização ou assistência pública. Este projeto está vinculado a Bolsa de Produtividade em Pesquisa – CNPq da coordenadora e ao Grupo de Pesquisa História, Cultura e Sociedade – UNIOESTE.

Integrantes: Silvia Schneider; Ana Teresa Acatauassú Venancio; Abigail Duarte Petrini; Diego Luiz dos Santos; Jakeline Santos Carvalho; Teresa Ordorika; Isabela Olsen Pierazo; Tainá Raue dos Santos.

Financiamento: CNPq – Bolsa.

 

Ideias sobre as perturbações físico-morais no contexto brasileiro: história, psiquiatria e sociedade no século XX

Coordenadora: Ana Teresa Acatauassú Venancio

Período: 2015-2019

Descrição: Este projeto tem como objetivo analisar o modo como a psiquiatria no Brasil, ao longo do século XX, participou da construção de ideias científicas sobre as perturbações físico-morais, as quais conviviam e dialogavam com outras formas de conhecimento a respeito do estatuto dessas perturbações. A história destas ideias e sua circulação em nossa sociedade serão investigadas a partir de alguns fios analíticos específicos, a saber: a) a comparação entre as ideias sobre as perturbações físico-morais presentes no conhecimento médico-psiquiátrico e na literatura brasileira do final do século XIX e início do século XX; b) o modo como o conhecimento médico-psiquiátrico no Brasil e no Chile no início do século XX validou e empregou o diagnóstico de toxicomania; c) as ideias psiquiátricas científicas que circulavam na década de 1930 na cidade de Curitiba-Paraná, considerando-se o processo de institucionalização da psiquiatria nesta localidade; d) as ideias científicas presentes no intercâmbio entre os médicos-psiquiatras brasileiros e os círculos europeus, norte-americanos e latino-americanos ao longo da primeira metade do século XX; e) as concepções sobre loucura na primeira metade do século XX, no Brasil, veiculadas nos debates legislativos mais amplos e nos debates específicos sobre as classificações diagnósticas produzidos por médicos psiquiatras.

Integrantes: André Luiz de Carvalho Braga; Ede Conceição Bispo Cerqueira; Renilson Beraldo; Mauricio Sebastián Becerra Rebolledo; Roberto Cesar Silva de Azevedo; José Roberto Silvestre Saiol; Carolina da Fonseca Schlaepfer.

Financiamento: PIBIC-CNPQ-Fiocruz; CNPq-bolsa; Capes- bolsa